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10/10/2014

PESQUISADORA RESSALTA IMPORTÂNCIA DOS IMIGRANTES PARA URBANIZAÇÃO



PESQUISADORA RESSALTA IMPORTÂNCIA DOS IMIGRANTES PARA URBANIZAÇÃO DE RIO CLARO

LEVANTAMENTO REALIZADO EM MESTRADO EVIDENCIA PODER POLÍTICO E DESENVOLVIMENTO URBANO DE
RIO CLARO NO FINAL DO SÉCULO XIX PROPORCIONADO COM A CHEGADA DE IMIGRANTES À ZONA URBANA


Qual a importância da imigração para a formação urbana de Rio Claro? Qual seu impacto e influência até os dias de hoje? Sob este tema, o Jornal Cidade conversou com a pesquisadora formada em Relações Internacionais pela Unesp com mestrado defendido em 2011 em História pela Unesp de Franca, Flávia Mengardo Gouvêa,
que realizou o levantamento da imigração em Rio Claro e sua importância para a urbanização da cidade no final do século XIX.
Jornal Cidade – Como chegou a este objeto de estudo?
Flávia - Na graduação estudamos muito história no curso de Relações Internacionais
e meu professor José Evaldo de Mello Doin tinha um grupo de estudos sobre a história do café no interior de São Paulo. Ele fez sua livre-docência sobre o interior analisando a modernidade enquanto movimento no interior de São Paulo. Então fui à reunião do grupo Centro de Estudos do Mundo e Urbanização do Café. Neste grupo havia vários pesquisadores que estudavam regiões do interior e acabei fazendo um projeto de iniciação científica sobre Nicolau de Campos Vergueiro, analisando esta época em que Limeira pertencia a Rio Claro.
JC - Qual a importância de Vergueiro para a região?
Flávia - Vergueiro era proprietário da Fazenda Ibicada. Ele criou uma empresa
para agenciar a vinda de imigrantes para o Brasil, e aqui essas pessoas vinham
trabalhar nas fazendas em regime de parceira, porém esse regime teve muitos problemas, já que os imigrantes alegavam que as condições tratadas não estavam
sendo cumpridas, resultando no descontentamento exemplificado, por exemplo,
na “Revolta de Ibicaba”. Eles eram obrigados a comprar roupa e alimentos na venda
do próprio Vergueiro, ganhavam pouco e ficavam sempre endividados. Verguei- ro alegava que os imigrantes não possuíam know-how para trabalhar com a terra,
eles vinham de empregos industriais.
JC - Como era Rio Claro no final o século passado?
Flávia - O café que trouxe o dinheiro, e o dinheiro a ideia moderna consolidada com a ferrovia. O comércio do café aqui que gerou tudo isso. Em 1850, Rio Claro era muito internacional, pois a empresa do Vergueiro ia para a Europa para agenciar os  imigrantes. Têm jornais da época que traziam uma cotação diária do preço do café. A cidade era grande, sua extensão chegava até os sertões de Araraquara e do outro lado avançava para além de Limeira. Os imigrantes não gostavam desta vida no  ampo, vieram em condições ruins, sem assistência espiritual, hospitalar. Nesse momento,  o imigrante começa, por iniciativa própria, a ocupar o centro da cidade. Em alguns  casos, eles eram excluídos da vida social de Rio Claro. Os alemães, por exemplo,
se uniram. Casavam-se  entre eles, fundaram a escola deles (o Koelle), a igreja deles (Igreja Luterana), e o clube deles (o Ginástico). Os alemães, que estudei com mais profundidade, que vieram  ao Brasil sempre desenvolveram estas três instituições.
Em Rio Caro, a maioria  deles residia em chácaras na recém-criada Vila Alemã.
Não houve mescla. Os imigrantes  dessa época envolviam, além dos alemães, os
suíços e outros povos daquela  região. Com a chegada à cidade, após a saída do
campo, começaram a desenvolver suas profissões. O dinheiro do café trouxe muita
modernidade, mas os imigrantes trouxeram o desenvolvimento cultural. E com
isso começam a trabalhar  na ferrovia, incluindo também os imigrantes italianos.
Desde as bitolas como a parte da operação do trem, além de fundar cervejarias e escolas.
JC - Na política rioclarense, qual a influência dos imigrantes?
Flávia - Nessa época  quem começa a ascender na política foi o Marcello Schmidt, filho de imigrante italiano que chega a ser prefeito em 1904, mas já havia ocupado a função de vereador. É preciso citar também a Sociedade do Bem Comum, que foi
criada para construírem a igreja que Rio Claro ainda não tinha. Voltando ao Schmidt,
é preciso citar que é iniciada a disputa do poder local com Campos Salles.
JC - Você acha que a história de Rio Claro é repassada para as novas gerações?
Flávia - Não. Eu mesma não sabia. A escola hoje tem o intuito de formar o aluno para o vestibular, e esta história acaba sendo esquecida. Tem livro, por exemplo, sobre a história da cidade que não existe em nenhum outro lugar e está no Gabinete de Leitura. O Arquivo Público tem jornais e outros documentos que relatam esta
história.
JC - Qual a importância de ser fazer este resgate histórico?
Flávia - Este resgate é importante  para o desenvolvimento econômico e até político da cidade. Analisar aquele período para trazer isso para o futuro, em relação a este
espírito empreendedor e de pioneirismo. Rio Claro teve energia elétrica antes de São
Paulo, imagina?
JC - O que ocasionou o  fim desse período áureo?
Flávia - Entre 1880  e 1882, ocorreram muitas mortes. Têm períodos no livro da Igreja Luterana, por exemplo, somente com registros de óbitos, principalmente por causa da varíola, que dizimou muitas pessoas.
MAIOR PARTE DOS CANDIDATOS É FORMADA POR MULHERES E NEGROS
A maior parte dos inscritos para a edição de 2014 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é composta por mulheres, pessoas negras, estudantes que já concluíram o ensino médio e candidatos oriundos da região Sudeste. Mais de 8,7 milhões estudantes farão, nos dias 8 e 9 de novembro, as provas do exame.
Entre os participantes, 4.990.025 já concluíram o ensino médio, enquanto 1.748.588 devem terminá-lo este ano. As mulheres representam 58,11% candidatos – mais de 5 milhões. O perfil dos participantes também mostra que 57,91% dos inscritos se declararam negros e 37,7%, brancos.
De acordo com o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Chico Soares, a Lei de Cotas [Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012] explica a grande participação dos negros no exame. "Com as cotas, tivemos os alunos negros vindo para o Enem e procurando usar uma oportunidade que antes não estava aberta", disse. "Percebe-se uma mudança de acolhimento na educação superior ensino superior via Enem."
A divisão geográfica dos inscritos aponta que a região Sudeste tem a maior parte dos participantes; são 35,27%, seguido das regiões Nordeste, com 32,99%; Sul, com 11,97%; Norte, com 10,89%, e Centro-Oeste, com 8,85%. São Paulo, que tem 15,19% dos candidatos, Minas Gerais (11,23%) e Bahia (7,63%) são os estados com maior percentual de inscritos.
O Enem será realizado em dois dias. No primeiro os estudantes terão quatro horas e meia para fazer as provas de história, geografia, filosofia, sociologia, química, física e biologia. No segundo dia os participantes terão cinco horas e meia para fazer as provas de matemática, língua portuguesa, literatura, artes, educação física, tecnologias da informação e comunicação e língua estrangeira, além da redação. Nos dois dias as provas terão início às 13 horas, no horário de Brasília.
Para responder a prova, o estudante deve apresentar um documento de identidade com foto e preencher o caderno de respostas com caneta esferográfica preta. O aluno só pode deixar o local da prova duas horas após o início do exame e só terá permissão para levar o caderno de questões se sair nos trinta minutos finais do horário de prova.







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